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quarta-feira, 2 de março de 2022

MESSODY BENOLIEL * Academia Brasileira de Trova / ABT

MESSODY BENOLIEL

EPITÁFIO ANTECIPADO 

Aqui jaz Messody Ramiro Benoliel 
que muito gozou e foi gozada,
por ser alegre, descontraída, escancarada 
para a vida que tanto a pisou,
não muito menos que aos demais.
Lutou para ter sempre um bom domingo. 
Se começasse de novo, seria capaz 
de continuar buscando, desenfreada: 
A sorte no amor, na família e no bingo. 
(Poema de Messody Benoliel (1933-2022))
&
A DOR DAS RUAS

Messody Benoliel


Trago comigo a dor das ruas.
Ilimitado castigo é o abandono
onde a indiferença faz morada.
Crianças de colo exploradas
por mulheres desalmadas.

Idosos mendigam na porta dos bancos
ou em qualquer lugar.
Nas noite, adolescente drogados,
sem lares, sem diretrizes.

Anda comigo a dor das ruas
da minha cidade.
Até onde irá predominar
esse descaso social, essa verdade,
que nos faz tanto mal ?
*
LUIZ POETA / FACEBOOK

"NOTA DE FALECIMENTO

Morreu no Rio, na manhã desta terça-feira (1º de março), a escritora e poeta Messody Benoliel, aos 88 anos. Ao longo da vida, ganhou cerca de 600 prêmios tanto no âmbito da Literatura quanto no da música. Alguns deles, inclusive, no exterior como a Médaille Vermeil da Academia de Letras, Artes e Ciências de Paris, dada a ela em 2010.

Messody Ramiro Benoliel escreveu livros de poesia, muitos dedicados ao estilo do cordel. Foi presidente e fundadora de entidades culturais como a Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro (Apperj)e foi vice-presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e da Casa do Poeta do Rio de Janeiro, da qual foi também fundadora. Ela foi também membro da Associação Brasileira de Escritores (UBE) e do PEN Clube do Brasil, entre outros grupos. A causa da morte não foi divulgada.

 DIEGO MENDES / PA"

MESSODY BENOLIEL se eternizou Presidente da Academia Brasileira de Trova/ABT.

*

IN MEMORIAM, TRIBUTO DA APPERJ PARA MESSODY BENOLIEL!

É com muito pesar que a Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro (APPERJ) presta este tributo para Messody Benoliel, um dos nomes mais representativos de nossa instituição, sendo um expoente da literatura e da música do Brasil.
Messody Ramiro Benoliel nasceu no Rio de Janeiro no dia 26 de novembro de 1933.
Seus pais eram de origem marroquina.
Graduou-se em Direito. Fez os cursos primário e ginasial no Colégio Anglo Americano, e o curso clássico no Colégio Andrews. Em 1952, ingressou na Faculdade de Direito da UFRJ.
Formada em Inglês pela Cultura Inglesa. Estudou Literatura na Oficina Literária do Professor Ivan Cavalcanti Proença.
Trabalhou como advogada e se dedicou à poesia, em diversas modalidades, como o soneto, a trova, cordel, o verso livre e aldravia.
Atuou também como cantora e compositora, tendo sido a primeira aluna de violão do Maestro Rildo Hora.
Lançou diversos CDs, entre os quais “Voz e ilusão”, no qual apresentou letras em cinco idiomas: português, inglês, francês, italiano e espanhol.
Reuniu mais de 600 prêmios, sendo laureada no campo das letras e da música, como poeta, cantora e intérprete de marchinhas de carnaval.
Foi Fundadora Presidente de importantes entidades culturais, tais como: Sociedade Literária do Soneto (SOLIS), da APPERJ [Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro], Vice-Presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel e Vice-Presidente Fundadora da Casa do Poeta do Rio de Janeiro, Membro Fundadora do INBRASCI (Instituto Brasileiro de Culturas Internacionais),pertencendo também à Academia Brasileira de Literatura, Academia Luso- Brasileira, Academia Pan-Americana de Letras e Artes, Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, Cenáculo Brasileiro de Letras e Artes, Sociedade Literária Eça de Queiroz, Assessora da Presidência da Academia de Letras e Artes de Paranapuã, Membro da União Brasileira de Escritores, do Sindicato dos Escritores do Rio de Janeiro, do PEN Clube do Brasil, entre muitas outras instituições.
Foi, também, membro da SBPA (Sociedade Brasileira dos Poetas Aldravianistas) e ALACIB (Academia de Letras, Artes e Ciências do Brasil) - entidades literárias de Mariana/MG.
Foi Fundadora da APPERJ, ao lado de Francisco Igreja e Sérgio Gerônimo, tornando-se a primeira Presidente da APPERJ. Atuou em inúmeras diretorias jurídicas da associação.
Em decorrência da excelência do trabalho literário e musical, foi Detentora da Mèdaille Vermeil da Academia de Letras, Artes e Ciencias de Paris (2010).
É verbete do Dicionário da MPB, de Ricardo Cravo Albin.
Em 2011, recebeu Troféus Cecilia Meireles e Carlos Drummond de Andrade, em Itabira Minas Gerais.
Publicou diversos livros, como “A Solidão Que Ficou”; “À Flor Da Pele”; “Sob Todas as Coisas”; “Identidade em Noite de Coroação”; “In Verbis”, “Faces”; “De olho na Poesia”, “50 poemas escolhidos pelo Autor”, além de várias obras em cordel: “Primórdios da Literatura Cristã”, “Leonardo Motta sua vida e sua obra”, “A Coisa Preta na Casa Branca”, entre outros.
Messody Benoliel faleceu no mês de fevereiro de 2022.
LENDO UM POEMA DE MESSODY BENOLIEL...
IDENTIDADE
Eu sou assim, coberta de incerteza
E paradoxalmente incontrolável,
Sendo portanto, mais do que explicável,
Ser sempre um mar em plena correnteza.
Sou o que sou, devido a natureza
Que não me quer de forma controlável,
Vivendo em ansiedade insustentável
Que me atiça com muita sutileza.
Sou contraste, sou várias numa só,
Sou fêmea, calejada por amar,
Sabendo dar um laço e dar um nó.
Sou outras, não sou nada certamente,
Necessário será me apaixonar
Para ser muitas, de repentemente.
ALGUMAS OPINIÕES SOBRE A POESIA DE MESSODY BENOLIEL OU PEQUENA FORTUNA CRÍTCA SOBRE A ARTISTA
“Messody é uma fiandeira que costura em seu imaginário poético teias que aprisionam realidades, transformando-as em arte; seu “epos” constrói-se na transparência, tudo tecido num laço de metáforas e outras figuras, poucas, mas emblemáticas: “saboreiam silêncios!, “nossos sonhos serão nossos abrigos”, “ressurgiu do pó da minha utopia”. Dizia Vitor Hugo ser o poeta o homem das utopias. “Les pieds ici, les yeux ailleurs.”
Mario Moreyra
“Messody é uma escritora apaixonada. Vive a arte pela arte. Quer na literatura onde flutua com desenvoltura, quer na música onde é também virtuosa, pois é cantora de múltiplos recursos. Seus versos são sonatas que encantam sempre. São acordes que envolvem o leitor e prendem-no pela audição, pela visão em acima de tudo, pela alma.”
Edir Meirelles
Messody é, também, um pouco de irreverência. Enumerar seus feitos acadêmicos seria lugar-comum, portanto não me atrevo a desfolhar este currículo.
Sérgio Gerônimo
Prefiro fugir do clichê para adjetivar Messody de “multiface” na poesia, no ensaio e na canção popular nacional e internacional.
Helena Ferreira
Messody Benoliel batizou este livro com a locução latina “In Verbis”; Motivou-a, não o intuito de ostentar erudição e sim o fato de a expressão tê-la acompanhado sempre nos papéis de sua lavra profissional ao longo da carreira de advogada.
Astrid Cabral
Abordando temas interessantes, sua inspiração supera com palpitantes entremeios de profunda emoção, eivados de lirismo, filosofia ou erotismo, que nos levam a sonhar e pensar na beleza da vida.
Gloria Puppin
Messody Benoliel, furacão poético-vivencial, é uma grande poeta da literatura brasileira.
Pedro Pires Bessa
Na coragem que te ensonha,
Sol maior na vida é o sonho,
tua lírica, Messody,
ah, Messody Benoliel
é dom d´alma que se doa,
é dádiva que voa, Messody,
feito música no céu,
Stella Leonardos
DADOS BIOBLIOGRÁFICOS:
BENOLIEL, Messody. 50 poemas escolhidos pelo autor, Rio de Janeiro: Edições Galo Branco, 2009.
BENOLIEL, Messody. In Verbis, Rio de Janeiro: Oficina Editores, 2002.
BENOLIEL, Messody. D olho na Poesia, Rio de Janeiro: Oficina Editores, 2014.
BESSA, Pedro Pires. 65 poetas: Crítica literária poética, Coleção 50 poemas escolhidos pelo autor. Prefácio de Waldir Ribeiro do Val. Apresentação de Marcia Pereira. 1ª edição, Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2014.
Luiz Otávio Oliani
Diretor de Comunicação Social da APPERJ
Jorge Ventura
Presidente da APPERJ
&
ICONOGRAFIA










***

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

COLETÂNEA COMEMORATIVA DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE GUIMARÃES BARRETO 1897-1997 * Academia Brasileira de Trova/ABT

COLETÂNEA COMEMORATIVA DO CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE
GUIMARÃES BARRETO 1897-1997
ACADEMIA BRASILEIRA DE TROVA
ABT
EDIÇÕES ABT 1998
ZMF EDITORA E PROMOÇÕES CULTURAIS
*
IMPROVISO

Procurando a trova, o "achado",
neste contraste de encantos,
a nossa ADELIR MACHADO
e ANTONIO BISPO DOS SANTOS.

Fitando os olhos, Senhor!,
nos horizontes mais vastos,
do NOSSO ESPAÇO, o editor,
ali se achava, era o BASTOS!

Grane GILBERTO GUERREIRO,
(o sobrenome É barbalho!),
trabalhou! É o tesoureiro
que valoriza o trabalho!

E a inspiração se renova
pelas estradas do HAROLDO!
Sendo um soldado da trova,
nunca!, a ninguém, pediu soldo!

No entanto, no firmamento
da trova, a maior estrela
não saiu do pensamento!...
- Só DEUS consegue escrevê-la!

Onildo de Campos
(Membro da Comissão Organizadora)

&

IRMÃOS TROVADORES

Somos os trovadores
todos irmãos de grande coração
levamos dentro do peito
muita esperança e muita ilusão.

Em quatro versos rimados
de harmonia composto
entregamos para o mundo
um verso sublime e repleto de amor.

...

Somos a vanguarda
dos poetas de nossa nação
da essência de nossa terra
fazemos trovas inspiradas de emoção.

Do Atalaia do mundo
elevamos as vozes
faremos de nossa trova
a bandeira da Paz, do sonho e do amor.

Marcos Andreani (Mapuche )

*

APRESENTAÇÃO

A Academia Brasileira de Trova - ABT, a Casa de Adelmar Tavares - mais uma vez, dando fiel cumprimento a sua precípua finalidade, que é a e congregar trovadores, cultivar a trova e divulgá-la, apresenta, aqui, na sua quinta Coletânea do pensamento rimado em estrofes e quatro versos setissílabos, sobre reverência ao Centenário de Nascimento do Poeta Trovador e Jornalista, de indelével memória - GUIMARÃES BARRETO, que presidiu, com raro brilhantismo, o egrégio Sodalício.

A primeira - TROVAS DE VÁRIOS AUTORES - veio à luz a publicidade em 1973; a segunda - ANTOLOGIA DE TROVAS - comemorativa do JUBILEU DE PRATA a instituição, em 1986; a terceira - O SABIÁ DOS SABIÁS, em comovida homenagem ao Centenário de Nascimento de ADELMAR TAVARES, PATRONO da entidade, em 1988; e a quarta - ANTOLOGIA DE TROVAS - EM 1992, venerável reconhecimento aos altos méritos  do Imortal Jornalista ASSIS CHATEAUBRIAND ( Francisco Chateaubriand Bandeira de Mello). Foi ele o primeiro Presidente de Honra da ABT.

Todos sabemos que uma ANTOLOGIA é a maior expressão do apurado e indiscutível gosto literário, em prosa ou em verso. Haja em vista que a palavra proveio do grego: ANTHOS, flor, e LEGEIN, colher.  Sua significação transmite-nos, e imediato, a ideia da colheita  e formoso ramilhete de flores perfumadas e imarcescíveis, ao que se harmoniza a sensibilidade estética do antólogo.

Ninguém desconhece que toda Trova é uma quadrinha, mas nem toda quadrinha é uma Trova! Esta asserção defronta-se-nos aos olhos da inteligência trovadoresca, e da sensibilidade, através a sábia advertência do mavioso ADELMAR TAVARES.

"NEM SEMPRE COM QUATRO VERSOS
SETISSÍLABOS, A GENTE
CONSEGUE FAZER A TROVA,
FAZ QUATRO VERSOS SOMENTE."

A Comissão Organizadora do presente trabalho houve por bem dar-lhe o modesto, despretencioso título  de COLETÂNEA. Não se deduza, daí - desejamos! - a circunstância de não estar presente em suas páginas o ESPÍRITO DA TROVA!

Rio de Janeiro, primavera, 1997.
Onildo de Campos
(Vice-Presidente da ABT)

domingo, 20 de fevereiro de 2022

ENTREVISTA ANTONIO CABRAL FILHO * OLIVEIRA CARUSO / RJ

ENTREVISTA ANTONIO CABRAL FILHO
OLIVEIRA CARUSO / RJ

De onde você é? Quando você começou a se aventurar na literatura? Sofreu influência direta de parentes mais velhos, amigos, professores? O que aprendeu na escola o instigou a criar textos?

Resposta: Sou de Jampruca, ex-distrito do município de Frei Inocêncio – MG, nascido em 13 de agosto de 1953. Aventurar-me na literatura mesmo foi na década de 70, em contato com a Poesia Marginal Carioca – Cacaso, Chacal, Ana Cristina Cesar, Leila Miccolis – Revista Nuvem Cigana, O Trote etc. As influências são diversas, devido à ansiedade para entender esse mundo di...verso. A poesia em versos livres, as formas fixas, as escolas literárias, tudo isso me instigou muito e eu me joguei de cabeça nos estudos, tentando dar conta, como se isso fosse possível.

Você já leu muitas obras e lê frequentemente? Que gêneros (poesia, contos, crônicas, romance) e autores prefere?

Resposta: Eu leio de tudo, de tudo mesmo. Desde os épicos Ilíada, Odisseia, E o Vento Levou, passando pela aventura, policial, mistério, terror etc. Não passa nada.

Costuma fazer um glossário com as palavras que encontra por aí (em livros, na internet, na televisão etc.) e ir ao dicionário pesquisá-las?

Resposta: Quando acontece o surgimento de uma palavra nova, vou direto pesquisá-la.

Há escritores de hoje na internet (não consagrados pelo povo) que admira? Em sites, Academias de que de repente você participa etc.

Resposta: Muitos, muitos mesmo. O fator internet ajudou demais no aparecimento dos novos escritores; mas quem será GRANDE só o tempo dirá. Basta que acreditemos e que tenham chances de se apresentarem.

Você costuma participar de antologias? Acha-as algo interessante? Participaria de uma se eu a lançasse?

Resposta: Há uma banalização da palavra ANTOLOGIA. Eu mesmo faço uso disso. Chamo de antologia qualquer pacote de poesia em qualquer forma poética: haicais, trovas, versos livres etc. Isso é ruim, mas apenas momentaneamente. A peneira do tempo resolverá...

Você é membro de Academias de Letras? Aceitaria indicações para ingressar em Academias de Letras como membro?

Resposta: Não sou membro de academia nenhuma; pelo menos dessas academias formalistas, concebidas segundo o modelo da Maçonaria. (Veja que escrevi Maçonaria com letra Maiúscula, por respeito a ela). Não entendo por que misturar a literatura com o mundo de uma sociedade secreta, que tem objetivos desconhecidos, e isso pode ser observado inclusive na Academia Brasileira de Letras. Ninguém diz que Machado de Assis foi influenciado por esses princípios, uma vez que o positivismo prevalece. A minha divergência é de fundo filosófico, pois acredito na produção cultural como espírito da sociedade e não como algo fruto do direcionamento ideológico, venha de onde vier.

Tem ideia de quantos textos literários já escreveu? Há quanto tempo escreve ininterruptamente?

Resposta: escrevo, conscientemente, há quarenta anos. A quantidade de textos escritos não dá para contar. São pastas de haicais, de trovas, de contos, de crônicas... E não pára.

Você tem dificuldade de escrever em prosa, em verso?

Resposta: Há fatores que interferem na cabeça do escritor na hora de iniciar um texto, mas eu não chamo de dificuldade. Depende do modo como ele se relaciona com o tema, do jeito como um chega ao outro, como num namoro, que às vezes prospera e às vezes não.

Você possui algum lugar onde publica textos virtualmente? Qual?

Resposta: Publico normalmente nos meus blogs. E devido à diversidade das formas, fui obrigado a criar blogs de contos, de crônicas, de haicais, de trovas, de versos livres, de sonetos, de aldravias e um sem número de revistas virtuais, onde compartilho aquilo que eu encontro de melhor, em todos os gêneros. O melhor meio de chegar a esses blogs é acessando o meu perfil literário: Mafuá Do Malungo Cabral.

Que temas prefere escrever? Prefere ficção ou o que vivencia e vê no dia a dia?

Resposta: Escrevo sobre qualquer coisa. E toda a minha produção é fruto da vivencialidade. Não planejo, não roteirizo, não ponho nada na cabeça de modo pré-concebido.

Aprecia outros tipos de arte usualmente? Frequenta museus, teatros, apresentações musicais, salões de pintura? Está envolvido com outro tipo de arte (é pintor, músico, escultor?)

Resposta: Apreciar eu aprecio. Adoro artes plásticas, sou louco pelo expressionismo, mas não me pergunte nada no campo teórico. Música é difícil alguém não gostar, mesmo enquanto ouvinte, como é o meu caso. Só toquei na parada de 7 de setembro de 1967.

Que retorno você espera da literatura para si mesmo no Brasil? E a nível de mundo?

Resposta: Não tenho ilusões com o retorno financeiro. Prefiro ver 15.000 acessos a um texto e saber que não vendo nenhum livro do que ficar forçando barra pra vender impresso. Enquanto ex livreiro, pude constatar a força das novas tecnologias na liberdade de escolha das pessoas. E faço votos de que isso progrida infinitamente. Não me importa se a criança está lendo em papel ou tablet. Importa é estar lendo.

Você acha que o brasileiro médio costuma ler? Acha que ele gosta de literatura tradicional ou só de notícias rápidas e sem profundidade?

Resposta: Aí existe um grande problema: Você conhece o Acordo MEC-USAID feito pela ditadura militar com o governo norte-americano em que o ensino brasileiro abandona o conceito de aprendizado contínuo, ligando o ensino básico ao médio e este ao superior sem cortes, onde a avaliação do estudante ocorre dentro das instituições em que ele viveu e não como agora. Antes, se estudava para SABER, sem foco no mercado, e hoje o brasileiro com poucos recursos não pode ir adiante nos estudos porque tudo virou resultado. Competente é quem teve nota alta, sem disponibilizar ao aluno as mesmas condições. Daí não temos como almejar um país leitor quando todos são jogados pra fora da escola, inclusive parcelas da classe média. Quanto ao que vai ler, do que ele gosta, vai depender do seu modo de absorção de prazer, do seu gosto, do seu tempo disponível.

Você costuma registrar seus textos na FBN antes de publicá-los? Sabe da importância disso?

Não. Não costumo registrar e sei da importância disso, mas acho muito pouco aconselhável alguém me plagiar ou se apropriar de um texto meu, até por questões ideológicas, pois a maioria não tem disposição para bancar a defesa dos oprimidos no texto literário. Por exemplo: quem quer plagiar Máximo Gorki, Bertolt Brecht, Maiacoviski, Vitor Hugo, Lima Barreto, Solano Trindade? Dou uma cocada a quem quiser fazer isso.

Já tem livros-solo publicados? Consegue vendê-los com certa facilidade?

Resposta: Tenho quatro livros de poesias publicados, que foram relativamente bem vendidos em eventos produzidos por mim. Mas com a descoberta do e-book eu parei com o IMPRESSO. Estou com dois à venda no AGBOOK.

Já conhecia o poeta-escritor Oliveira Caruso (desculpe-me... Esta pergunta é padrão para quem participa de meus concursos literários)?

Resposta: Claro! Oliveira Caruso é uma marca de produção cultural que não pára de crescer. Enquanto ex livreiro, agitador cultural e poeta militante, fica impossível não encontrar um irmão.

Você trabalha com literatura inclusive para aumentar sua renda ou a leva como um delicioso hobby?

Resposta: Trabalho com literatura por necessidade vital, vendendo ou não. Ela é minha alma, é a superação do profissional que põe x$ na conta bancária todo dia. Sem ela eu não passaria de uma máquina registradora – uma vez que trabalho com contabilidade e agenciamento de anúncios.

Você trabalha(ou) fora da literatura?
Resposta: Enquanto técnico em contabilidade, eu faço free lancers de balanços, no dia a dia edito classificados para agências de publicidade de pequena intensidade, digito textos para editoras e produzo e-books.

CONFIRA: REINO DOS CONCURSOS
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

FUNDAÇÃO DA ABT * Academia Brasileira de Trova / ABT

 FUNDAÇÃO DA ABT

FUNDAÇÃO DA ACAEMIA BRASILEIRA DE TROVA

Os Poetas Onildo de Campos, Almério Faria e Paula Faria, reunidos na residência deste último, durante uma rodada de trovas, idealizaram fundar uma Academia de Trovadores.

Assim, no dia 17 de Dezembro de 1960, uma comissão composta de Onildo de Campos, Paula Faria, Symaco da Costa, Felix Aires e Almério Faria foi à residência do Príncipe dos Trovadores Adelmar Tavares comunicar-lhe a escolha do seu nome para Patrono da Academia. Ele, ao recebê-los, disse: "Vocês estão aqui no meu coração. Este encontro é o melhor presente de Natal que recebo. Acho excelente esta ideia de fundar-se uma Academia de Trovadores, pois a trova é a expressão alta da poesia, um gênero poético dos mais difíceis, apesar da sua simplicidade. A escolha do meu nome para  Patrono é uma generosidade de vocês, que são poetas e criaturas de grande coração."

Foi escolhido para Presidente de Honra, na mesma época, o Embaixador Assis Chateaubriand, que assim se pronunciou: "Surpreso e honrado com a lembrança, compreendo-a e aceito-a engrandecido pelo gesto e feliz pela deferência. Convidarei meus amigos da Academia Brasileira de Letras, para também fazermos trovas! Levaremos flores a Antonio Correia e Oliveira e Catulo da Paixão Cearense, que deram eternidade ao gênero. Até porque, profissional da pena, com minha sensibilidade de paraibano, também fiz versos quando moço. Nascido em terras de cantadores repentistas, convivi com eles e sempre lhes aprendi e amei, num cenário que ainda vejo. Daí, penso, a justificativa desta homenagem."

Em 2 de Dezembro de 1960 era eleita a primeira diretoria, tendo como Presidente Antonio Vicente de Paula Faria; Secretário geral: Felix Aires; 1º Secretário: Onildo Barbosa de Campos; 2º Secretário: Aylton Quintiliano; Tesoureiro: Symaco Américo da Costa e Bibliotecário arquivista: Almério de Paula Faria. Estava assim fundada a ACADEMIA BRASILEIRA DE TROVA, sendo notícia de toda a imprensa brasileira, que divulgava todos os eventos da Entidade.

Paula Faria fez ótima administração. Todos os acadêmicos rendem a este ilustre e saudoso intelectual grandes homenagens por ter sido a primeira pilastra no exemplo que hoje sustenta a ACADEMIA BRASILEIRA E TROVA.

Antonio Bispo dos Santos
Presidente atual
Rio de Janeiro-RJ, 1998.